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O pior já passou
Sistema de crédito tem melhora, mas só deve se estabilizar no início de 2010
A queda da taxa básica de juros e a volta do crédito estão sendo comemoradas no Brasil, mas ainda é preciso pensar bem na hora de fazer um empréstimo ou financiamento. Segundo Marianna Costa, economista da Link Investimentos, a crise mundial tem efeitos de longo prazo e, por isso, o sistema de crédito só deve se estabilizar entre o final deste ano e o início de 2010. “O pior aconteceu no ano passado, mas o processo de melhora vai ser lento”, afirma.
Marianna explica que a oferta de crédito para pessoa física tem melhorado. Entre abril e maio, por exemplo, houve uma expansão de 2,4% nas operações desse segmento. A queda da Selic (taxa básica de juros) é uma das causas. “Além disso, o sistema financeiro brasileiro se mostrou mais resiliente à crise de crédito do que outros países, pois já tinha mecanismos de defesa, como o depósito compulsório, para garantir que o sistema permanecesse robusto”, acrescenta.
No entanto, a taxa de juros não é o principal fator a influenciar as operações de crédito. “A crise gera desemprego, e o desemprego eleva a inadimplência”, ensina Marianna. “Atualmente os índices de desemprego estão em seu pico e, enquanto não se estabilizarem, os bancos terão mais cautela.” Isso significa que as instituições de crédito estão mais seletivas e dão prazos menores de quitação, além de não cortarem tanto os juros quanto o Banco Central fez com a Selic.
O crédito para a compra de bens com baixo valor agregado está mais fácil e mais barato do que o de imóveis. “A política do governo agora é fazer com que as pessoas consumam mais e poupem menos, a fim de incentivar os setores produtivos”, diz Marianna.
Mas não existe verdade absoluta quando se trata de economia. A economista relativiza sobre se é hora ou não de fazer financiamentos: “Tudo depende do momento da família, de suas necessidades e de suas expectativas. E, claro, de seu planejamento financeiro”, afirma. De qualquer forma, ela salienta que a tendência do mercado agora é se estabilizar e, caso a decisão for tomar um financiamento, não é necessário esperar alguns meses. “Até o fim do ano, não haverá mudanças significativas”, conclui Marianna.
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