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Pinceladas de luz
Para entender melhor o Impressionismo

Impressão Sol Nascente (1873), de Claude Monet

Os mestres impressionistas despontam no ranking das exposições mais visitadas do Museu de Arte de São Paulo (Masp), contabilizando juntas quase 1 milhão de pessoas. Mas, se hoje o Impressionismo é uma escola extremamente popular (e até mesmo um clichê das artes plásticas), nem sempre foi assim. No século 19, quando o gênero surgiu na França, as obras de temática cotidiana e de pinceladas sem contorno definido foram muito criticadas por apresentarem uma proposta totalmente diferente do Neoclassicismo, o gênero vigente na época.

Justamente para entender este contexto, o ciclo do módulo Mind do Programa VivaVida começou no último dia 6, com uma aula sobre a situação política e social que inspirou artistas como Edgar Degas, Claude Monet e Pierre-Auguste Renoir – tratados separadamente nos demais encontros. “O Impressionismo mudou a maneira de a arte ver o mundo”, afirma Leandro Karnal, curador da Casa do Saber e responsável pelo curso oferecido pela MBS Seguros.

Segundo Karnal, para compreender os impressionistas, é preciso olhar para a França do século 19. A Paris pós-Revolução foi reurbanizada e planejada pelo Barão de Haussmann, nomeado prefeito em 1852 pelo imperador Napoleão III. “Paris atingiu 1 milhão de habitantes. Com a urbanização e a iluminação das ruas, a vida dessa massa passou a ser fora de casa, uma sociabilidade que estava perdida desde o Império Romano”, explica Karnal.

A reação impressionista ao Neoclassicismo enquadra-se neste cenário. Os neoclássicos concebiam a pintura como uma realização dos padrões clássicos com conteúdo moral e histórico. Já os impressionistas criavam uma “impressão da realidade”. Em imagens instantâneas, sem enquadramento definido, dissolviam as linhas, misturando as cores na tela por meio de pinceladas marcadas. A luz era um elemento-chave e a temática era o cotidiano da cidade e a natureza.

Tudo isso foi demais para o gosto da época. “Muitos artistas impressionistas e pós-impressionistas morreram na miséria, pois não conseguiam vender suas obras”, conta o professor.


Para quem tem interesse em aprofundar os conhecimentos, visitar o Masp é uma boa dica. “Nada substitui ir ao museu e observar as pinceladas”, recomenda Karnal. Lá, é possível ver obras como Quatro bailarinas em cena, de Degas, Ponte japonesa sobre a lagoa das ninféias em Giverny, de Monet, e Rosa e Azul – As meninas, de Renoir, além dos pós-impressionistas Cézanne, Gaugin e Van Gogh. Ficam também algumas sugestões de leitura:

PARA LER

 

» Londres e Paris no século XIX: o espetáculo da pobreza, de Maria Stella M. Bresciani. A historiadora analisa as multidões das duas maiores metrópoles do século XIX.

 

» Flores do Mal, de Charles Baudelaire. A figura do flâneur, que anda sem destino pela cidade e a observa.

 

» História do Impressionismo, de John Rewald. Um dos melhores livros sobre o assunto traduzidos para o português.

 

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