Nutri Kids
Pais são o exemplo
Maior arma contra obesidade infantil são os hábitos alimentares da família toda
Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou que, em aproximadamente uma década, o problema da desnutrição infantil estará banido do país. Ao mesmo tempo, alertou para outra vilã que vem ganhando espaço: a obesidade. É que as crianças brasileiras estão abusando dos industrializados e da fast food, além de deixarem as atividades físicas de lado. Conversamos com a nutricionista Roberta Stella, do portal Minha Vida, sobre o assunto. Confira.
MBS - Quais as principais falhas nos hábitos alimentares das crianças brasileiras? Roberta Stella – Atualmente, as crianças têm acesso muito fácil a doces, refrigerantes, salgadinhos, fast food e alimentos industrializados (biscoitos, congelados etc). Esses alimentos apresentam um elevado valor energético e baixa qualidade nutricional. Ou seja, são pobres em nutrientes importantes para o organismo, como vitaminas, gorduras insaturadas e carboidratos complexos. Esse novo padrão alimentar tem contribuído para o aumento do excesso de peso infantil, além de outras doenças como colesterol elevado, hipertensão e diabetes. Há poucos anos, essas doenças só eram observadas em adultos.
MBS - Comer assistindo à tevê é mesmo prejudicial? Roberta Stella – Comer assistindo a tevê, jogando games, em frente ao computador ou ouvindo música tira a atenção dos alimentos. A criança não presta atenção nos alimentos e nos sabores e mostra desinteresse em se alimentar. É um erro comum, mas os pais devem proibir que os filhos se distraiam na hora da refeição. A criança deve ser colocada à mesa, em ambiente calmo para que possa prestar atenção nos alimentos que está ingerindo.
MBS - Como controlar o lanche da escola? Roberta Stella – O ideal é a criança levar de casa alimentos para serem consumidos na escola. Frutas, sucos naturais, sanduíches com pão integral e recheios saudáveis devem ser estimulados. Se os pais dão dinheiro para que a criança consuma alimentos da cantina, uma alternativa é conversar com o filho sobre a importância de ingerir bons alimentos, e combinar apenas um dia da semana para consumir na cantina.
MBS - Qual a quantidade semanal de doce que pode ser liberada para as crianças? Roberta Stella – O ideal é uma vez por semana, fazendo o filho entender a necessidade e importância dos alimentos saudáveis. É necessário ter um diálogo com o filho sobre as questões alimentares e ser firme neste ponto. Não se deve nunca barganhar doces ou guloseimas em troca de alguma atitude.
MBS - Os pais devem ceder ao que a criança gosta mais de comer ou devem forçar alguns alimentos, como as verduras, por exemplo? Roberta Stella – Os pais não devem ceder nem forçar. É preciso oferecer sempre bons alimentos. O filho comerá quando estiver com fome. É importante ressaltar que os pais são exemplos para o filho. Não adianta oferecer frutas de sobremesa se os pais comem doces. A boa alimentação é para toda a família, e não somente para os filhos.
MBS - "Disfarçar" a verdura, por exemplo, no meio da comida ajuda? Ou a criança deve entender que precisa comer certos tipos de alimentos? Ela tem essa capacidade de compreensão? Roberta Stella – Não sou a favor de disfarçar os alimentos. A criança tem o direito de saber o que está comendo. Ela tem que saber que a verdura, o legume e a fruta são bons e saborosos. Deve ser estimulada a comer esses alimentos, a conhecê-los. Disfarçar é dizer que está comendo outra coisa, o que não é uma boa atitude para a educação nutricional da criança. MBS - Como nutricionista, você já deve ter acompanhado pais desesperados porque os filhos que não comem ou comem de maneira errada. Quais as “saídas” inventadas? Roberta Stella – Os pais são exemplos e devem mostrar aos filhos o que é comer bem, colocando no próprio prato esses alimentos. Se a criança não está acostumada a comer alimentos mais naturais, evidentemente ela irá estranhar, até chorar, querendo algo mais gostoso. Alimentos ricos em sódio, gorduras e açúcar são altamente palatáveis, ou seja, são de fácil aceitação. É claro que a criança irá preferi-los se os pais cederem. Mas, se não cederem, a criança não terá alternativa; irá comer o que é mais saudável. Agora, os pais devem ter tranquilidade para lidar com o choro e a birra da criança. Ceder é o caminho mais fácil, mas é o mais saudável? É o que deve ser feito? Se a criança não tiver uma boa alimentação desde a infância, como será quando for adolescente ou adulta? E é função dos pais mostrarem sempre o bom caminho para os filhos, até quando o assunto é a alimentação.
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