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Mercadorias e futuros: já pensou a respeito?
Entenda melhor esse mercado, indicado para investidores experientes
Em 2008, a Bovespa se juntou à Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), dando origem à BM&FBovespa. Mas você já parou para pensar no que são exatamente mercadorias e futuros? E mais: já cogitou entrar neste mercado? A MBS ouviu a economista Marianna Costa, da Link Investimentos, a respeito. Confira suas explicações e dicas sobre esta opção de investimento, boa para “os mais iniciados”.
MBS – Qual a diferença entre o mercado de mercadorias e futuros e o de ações? Marianna Costa – No mercado de ações, o objeto transacionado é a ação de uma empresa, que representa um “pedaço” desta empresa. No mercado de mercadorias, o objeto transacionado pode ser um ativo real, como uma mercadoria agrícola, ou um ativo de renda fixa, como juros e moedas. Em ambos os casos, a liquidação das transações é à vista; quando há a realização do negócio, o comprador realiza o pagamento e o vendedor entrega o ativo-objeto da transação. No caso do mercado futuro, o prazo da liquidação não é à vista, e sim em data determinada no futuro. São ativos também chamados de derivativos. Esses ativos derivam de um outro ativo que serve como referência, justamente daquele com cotação à vista. Tais operações no mercado futuro derivam do comportamento futuro dos mercados. Até 2008, esses dois mercados tinham bolsas separadas, a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e a Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). Após essa data, houve a integração de ambas, criando a BM&FBovespa.
MBS – Quem pode investir em mercadorias e futuros? Marianna Costa – Qualquer pessoa pode investir no mercado de mercadorias e futuros. Duas das particularidades desse mercado são a necessidade de depósito de margem e o ajuste diário. O valor mínimo para começar é a margem de garantia do contrato. O valor funciona como caução, usado para deixar o contrato em aberto na Bolsa. Isso só é possível porque, no mercado futuro, o investidor não opera a mercadoria, mas sim a tendência do mercado. Já o ajuste diário é o valor a ser debitado ou creditado ao cliente, diariamente, de acordo com a variação, negativa ou positiva, no valor da posição por ele mantida, ajustada ao preço de compensação do dia. Ou seja, a grande diferença entre as operações à vista e as operações com futuros é a necessidade, no caso do último, de um fluxo de ajuste financeiro feito diariamente. Se um investidor adquire uma ação de uma empresa a um determinado valor e há valorização ou desvalorização da ação, o investidor irá realizar o lucro ou prejuízo somente se vender o ativo. Já no caso do mercado futuro, o investidor tem que pagar ou receber todos os dias a variação do preço do ativo-objeto.
MBS – Para os interessados, quais as principais dicas? Marianna Costa – A principal dica para o investidor pessoa física que está interessado no mercado de mercadorias e futuros é estar ciente de que é um mercado que embute um risco mais elevado que o à vista, em especial devido aos depósitos de margem e aos ajustes diários. Não há limite pré-estabelecido para perda. Este é um mercado indicado a investidores já mais experientes e que estão acostumados às necessidades de capital que envolvem essas operações.
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