Nutri
Fuja da trans
Entenda o que é e onde está a tão mal-falada gordura trans
Muito tem sido falado sobre a gordura trans, a mais nova vilã da dieta saudável. Já parece ser de domínio público que ela é prejudicial à saúde e que está em alimentos industrializados. Mas poucos sabem realmente o que é, quais seus efeitos no organismo e como evitá-la. Na década de 1950, descobriu-se que a gordura saturada – aquela presente na carne vermelha, no leite e em outros produtos de origem animal – aumentava os riscos de doenças cardiovasculares. Pressionada a reduzir seus teores nos alimentos, a indústria passou a utilizar a gordura vegetal, reconhecidamente mais benéfica à saúde. Como os óleos vegetais são líquidos, o que dificulta a fabricação, a solução encontrada foi “endurecer” esses óleos por meio de um processo chamado hidrogenação parcial. Foi assim que surgiu a gordura vegetal hidrogenada: a manteiga foi crucificada e a margarina virou a heroína do café da manhã. Não tinha concorrência: além de ser mais saudável, a gordura vegetal hidrogenada melhorava a aparência e a durabilidade dos alimentos, além de deixá-los mais crocantes. Salgadinhos, biscoitos, congelados, sorvetes, achocolatados e até barrinhas de cereais passaram a contar com mais este aliado. Somente em meados dos anos 1990 descobriu-se que ela é ainda mais prejudicial que a gordura saturada, pois, além de elevar os níveis de LDL (o colesterol “ruim”), também reduz os de HDL (o colesterol “bom”). Mas, se o colesterol bom está presente nos óleos vegetais, como a gordura vegetal hidrogenada diminui seus níveis no sangue? A hidrogenação parcial modifica as ligações das moléculas (o hidrogênio fica na posição transversal), gerando o chamado ácido graxo transverso, popularmente conhecido como trans – cujas concentrações na gordura hidrogenada são altíssimas. Como a gordura trans não é sintetizada pelo organismo humano, ela se acumula nas veias e artérias. Rotulagem
A OMS (Organização Mundial da Saúde) alerta que não há consumo seguro de gorduras trans, mas estabelece que ele não ultrapasse 2 gramas por dia – equivalentes 1% de uma dieta de 2 mil calorias. No Brasil, a regulamentação só veio em agosto de 2006, com uma portaria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinando que os teores de gordura trans fossem indicados nos rótulos. Só podem ser classificados como “livres de gorduras trans” os alimentos com menos de 0,2 grama por porção avaliada. Mas é bom ficar atento ao rótulo, pois a porção considerada pode ser, por exemplo, de um biscoito inteiro ou meio. A dica é conferir nos ingredientes: se houver gordura vegetal hidrogenada ou margarina, é porque há, pelo menos um pouco, de gordura trans. Contate a MBS para ter acesso aos módulos do Programa VivaVida
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