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Dieta do bom-senso
Como alcançar o peso ideal sem praticar o auto-boicote

Roberta Stella, nutricionista-chefe

“Já quebrei o regime mesmo, então vou comer o que quiser”. “Pedalei meia hora e posso devorar essa fatia de bolo”. “Estou estressado e tenho direito a uma barra de chocolate”. Quem nunca usou de tais subterfúgios para aliviar a consciência ao escapulir da dieta? O pior é que, nesses casos, só há um prejudicado – é preciso dizer quem?

Em entrevista à MBS, a nutricionista-chefe do portal MinhaVida, parceiro do módulo Nutri do VivaVida, Roberta Stella, dá as dicas para manter-se firme rumo a uma meta bastante nobre: qualidade de vida. “Se o objetivo é emagrecer, trabalhe para que tudo dê certo e não se permita nenhum tipo de desculpa”, recomenda. Confira o bate-papo:

Há regras para modificar hábitos alimentares sem muito sofrimento?
Para modificar os hábitos alimentares de forma efetiva, é necessário que a mudança seja gradual a fim de que o paladar e o organismo se adaptem. As pessoas não podem encarar uma mudança alimentar que trará somente benefícios (mais saúde e peso adequado) como um sofrimento. Evidentemente, haverá um período de adaptação. Se já de cara as mudanças forem encaradas como sofrimento ou punição, serão muito pequenas as chances de chegar à meta de peso.

Algumas pessoas acreditam que basta repetir uma ação por 21 dias para que ela se torne um hábito e que isso se encaixaria também na reeducação alimentar. É crendice?
Não é verdade que ao fazer um regime por 21 dias a nova alimentação se torna um hábito. Se fosse assim, não haveria tantas pessoas ganhando todo o peso de volta, ou até mais, depois de um período grande de mudanças alimentares.
 
Para se reeducar, é preciso manter uma certa rigidez. Como agir assim num dia ruim, em que, por exemplo, se discutiu com o chefe ou algo saiu errado?
Se o chefe brigou, não é através do exagero alimentar que ele fará as pazes. Se algum erro muito grave foi cometido, não é a alimentação que irá corrigi-lo. Nessa hora, é necessário avaliar o que fez o chefe brigar ou o que ocorreu para que algo de tão errado acontecesse. Somente ações positivas, práticas e racionais irão mostrar quem tinha razão e como contornar um erro. É importante deixar claro que a alimentação não é resposta ou solução para nenhum tipo de briga ou problema. Se o objetivo é emagrecer, é necessário manter-se firme no objetivo. Ao desviar-se dele por questões emocionais, a pessoa terá ainda mais problemas: ganho de peso, decepção e baixa auto-estima.

O alimento não pode ser encarado como compensação...
É necessário ter consciência de que o alimento não pode servir como muleta. Ele não resolve problemas que não são da competência dele. Tendo isso bem definido, as chances de fazer qualquer exagero ficam reduzidas. Entretanto, se não foi possível e o excesso foi cometido, a solução é voltar para o cardápio equilibrado e não abandonar o objetivo. Desistir, nunca!

Que dicas daria para quem não consegue se alimentar direito por conta do trabalho, da correria do dia-a-dia?
É necessário ter organização. Se para realizar um bom trabalho é preciso disciplina, com a alimentação não é diferente. Por isso, estipule horários para as refeições de acordo com a agenda. Verifique no restaurante da empresa ou nas proximidades as melhores opções. Se não houver nenhum restaurante saudável por perto, considere a possibilidade de levar comida de casa. Se o objetivo é emagrecer, trabalhe para que tudo dê certo e não se permita nenhum tipo de desculpa.
 
É bastante comum as pessoas raciocinarem da seguinte forma: comi um brigadeiro e já quebrei o regime; então, vou comer o que quiser e retomar a dieta amanhã. Isso faz algum sentido?
Não faz nenhum sentido. Para que o prejuízo seja menor, é melhor um exagero pequeno do que um grande. Assim, se exagerou no almoço, faça um jantar equilibrado. Se comeu seis bombons e percebeu que exagerou, pare! Seis bombons serão menos prejudiciais que 12!
 
Há alimentos que driblam a fome e ajudam quem está de dieta?
Os alimentos ricos em fibras (integrais, legumes, verduras, frutas) estão relacionados com uma maior saciedade, retardando a sensação de fome. Por isso, é importante começar almoço e jantar com um belo prato de saladas. No café da manhã, incluir frutas e cereais integrais (granola, aveia em flocos, pão integral). As bebidas dão uma falsa sensação de saciedade, já que os líquidos têm um tempo de absorção menor. Sempre que possível, dê preferência às frutas in natura.
 
Cortar radicalmente um grupo de alimentos, por exemplo os carboidratos, é uma saída para quem quer emagrecer?
Não é o mais indicado. Na verdade, é necessário saber como funcionam as restrições de carboidratos. As dietas são divididas em fases e, conforme o objetivo vai sendo alcançado, os carboidratos bons passam a ser reintroduzidos. Uma restrição excessiva não deve durar muito. O mais adequado é fazer uma alimentação variada, contendo todos os grupos alimentares (cereais, frutas, legumes, verduras, leite, derivados do leite e carnes).
 
Quem faz exercício físico está liberado para comer mais?
As pessoas superestimam o gasto calórico com os exercícios e subestimam a quantidade de calorias contida nos alimentos. Dessa maneira, fica fácil cometer erros e ingerir mais calorias do que o permitido. O resultado é que não se emagrece ou, pior, se ganha ainda mais peso. Os exercícios devem ser vistos como auxiliares, ou seja, eles permitem uma eliminação de peso mais rápida. Por isso, não faça exercícios pensando no que poderá comer a mais.
 
Como a empresa pode auxiliar os funcionários a se alimentar corretamente?
Se a empresa tem restaurante próprio, pode desenvolver um trabalho de educação alimentar com distribuição de informativos sobre as propriedades dos alimentos e os benefícios para o organismo. Além disso, pode promover palestras que enfatizem a importância de se manter o peso adequado para ter mais qualidade de vida. A intranet também pode ser usada para divulgar matérias e informações sobre o tema e incentivar os funcionários a adotarem uma nova postura.
 
A empresa ganha ao auxiliar os funcionários a se alimentarem corretamente?
Ao conscientizar e estimular a adoção de bons hábitos alimentares, a empresa aumenta a disposição, a concentração e o ânimo dos funcionários. Além disso, os afastamentos por problemas de saúde são reduzidos.

OITO PECADOS CAPITAIS

A nutricionista Roberta Stella elencou quais os erros mais comuns que os brasileiros cometem ao se alimentar. Confira a lista:

1) Reduzir drasticamente a quantidade de alimentos e as calorias do cardápio – “Para emagrecer, é necessário que a restrição seja gradual”.

2) Dar à comida um caráter punitivo, eliminando do cardápio tudo o que mais se gosta – “Deve haver uma redução, sabendo quando e quanto comer. Por exemplo, se a pessoa ingere, todos os dias, chocolate, pode reduzir a três vezes por semana. Depois, para duas vezes, até que essa ingestão seja esporádica, uma vez a cada quinze dias”.

3) Evitar frutas, legumes e verduras – “Não é possível fazer uma alimentação balanceada sem esses três grupos alimentares. Se a pessoa não tem boa aceitação, deve estimular o paladar para que ele se adapte aos novos sabores”.

4) Ter alimentos calóricos por perto – “No armário da cozinha ou do escritório, tenha sempre disponível boas opções. Evite encher as gavetas com chocolates, bolachas recheadas, balas ou doces”.

5) Pular refeições – “Não é indicado ficar mais do que quatro horas sem se alimentar. Além das três refeições principais (café, almoço e jantar), faça pequenos lanches pela manhã e à tarde”.

6) Não ter disciplina – “Estabeleça horários para todas as refeições, mesmo que a agenda esteja lotada”.

7) Contar calorias – “A alimentação é muito mais complexa e resumi-la às  calorias é um erro. Ter uma alimentação variada é a chave para emagrecer sem prejudicar a saúde”.

8) Controlar a alimentação só durante a dieta – “Para manter o peso, a mudança deve ser para toda a vida”.

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