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Luz no fim do túnel
O economista Fábio Susteras é da turma otimista: “As crises servem para sairmos fortalecidos”
Mestre em economia, consultor de investimentos e articulista do jornal Valor Econômico, Fábio Susteras é do grupo que não se deixa abater pela tão falada crise financeira. “Não existe crise que dure para sempre. Não é a primeira que o capitalismo enfrenta e nem será a última”, afirma. E ainda consegue ver vantagens no desânimo atual do mercado: “As crises servem para sairmos fortalecidos”, prega, recomendando a bolsa de valores para o perfil de investidor mais ousado. “Há papéis de empresas bastante sólidas sendo vendidos a preço de banana.” Veja suas opiniões.
Brasil será menos afetado “O País tem algumas vantagens em relação aos demais. Nosso sistema financeiro é extremamente conservador e sólido, o que impediu que o subprime chegasse por aqui. No entanto, as empresas que pegavam dinheiro lá fora agora pegam aqui dentro, o que torna o crédito mais caro e afeta a economia real. Vamos sofrer um pouquinho mais, ter desemprego, inadimplência e crédito mais caro. Os economistas acreditam que o Brasil cresça 1,5% – só que caminhávamos a 6% ao ano e, agora, a 1,5%, ou seja, vamos ter efeitos colaterais. Ainda assim, o FMI diz que a economia como um todo vai ter crescimento negativo de 0,5%. E crescer quando o mundo decresce é vantagem.”
Papel do governo “O governo tem mesmo que estimular a economia. Os bancos privados não podem emprestar, então os bancos públicos têm que fazer isso. O governo tem que investir. Isso é bom, mas, por outro lado, pode comprometer as contas públicas. É o que em economia chamamos de ‘cobertor curto’: ou você cobre o pé ou a orelha.”
Dica aos investidores “É preciso ter cautela antes de tudo. A vantagem é que a inflação está diminuindo e o poder de compra não está comprometido. Para os mais conservadores, eu recomendaria títulos públicos e CDBs, entre pré e pós-fixados. Para os mais arrojados e que têm dinheiro para dispor a longo prazo (um ano e meio ou dois), a bolsa pode ser uma boa opção, pois há ótimas empresas que estão muito baratas. Aplicar em dólar é bobagem. Ultimamente, eu diria que só para os ultraprofissionais, porque ele está muito volátil.”
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