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A polêmica sobre a poupança
Entenda por que querem mexer neste investimento

Os mais alarmistas já falavam em retorno à era Collor. Mas, exageros à parte, o fato é que o governo resolveu mesmo mexer na rentabilidade da poupança, estabelecendo que as cadernetas com mais de R$ 50 mil de saldo vão passar a pagar imposto de renda a partir de 2010. Isto porque, como muitos analistas já vinham apontando, a fórmula que prevê a correção pela taxa referencial (TR) mais 6% fixos ao ano é insustentável com a taxa básica de juros (Selic) abaixo de 10%.

A Selic encontra-se hoje em 10,25%, com tendência de queda, dado o panorama de crise e a necessidade de incentivos à produção no país. Como é ela que baliza o rendimento das demais aplicações, em pouco tempo estaria menos atrativa do que a poupança. Tal cenário provocaria, então, uma migração maciça de investidores de fundos, CDBs e outras modalidades, gerando um desequilíbrio no sistema financeiro. Com isso, perderiam não apenas bancos e gestores de recursos, mas também o próprio governo. Explica-se: o patrimônio dos fundos de renda fixa e DI é composto, fundamentalmente, por títulos públicos; ou seja, se o governo não mudar a correção da poupança, pode comprometer seu próprio caixa.

Como agir?
Para quem tem dinheiro na poupança, não é preciso temer um confisco, como ocorreu nos anos 1990. Também não é hora de abandonar o barco: a medida anunciada este mês pelo governo federal ainda será votada pelo Congresso e, caso aprovada, só passa a valer a partir do ano que vem e se a Selic continuar abaixo de 10,5%.

Mas também não se deve acreditar que a poupança é o investimento do momento. “Neste ano, os investimentos em poupança só serão superiores aos fundos de renda fixa que cobram altas taxas de administração. O correto é procurar produtos mais rentáveis que a poupança, mas que cobrem no máximo 0,5% ao ano de taxa”, afirma o consultor Paulo Colaferro, parceiro da MBS no módulo Invest do Programa VivaVida.

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