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A polêmica dos emagrecedores
Entenda o que defendem os dois lados envolvidos na questão do veto à venda desses remédios
Primeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou que publicaria resolução proibindo a venda de remédios para emagrecer que contivessem sibutramina em sua fórmula. A indústria farmacêutica, evidentemente, reagiu mal à notícia. Mas chamou a atenção da Agência a reação negativa vindo também dos médicos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e da Associação Médica Brasileira (AMB). Diante disso, a decisão foi postergada. Mas, afinal, quem está com a razão? A polêmica acontece justamente porque os dois lados têm fortes argumentos a seu favor. Para a Anvisa, os benefícios dos emagrecedores não superam seus riscos à saúde. Para os endocrinologistas e farmacêuticos, é o contrário. De fato, há um abuso na venda dos inibidores de apetite que agem no sistema nervoso central – só em 2010, foram vendidos mais de 6 milhões de comprimidos de sibutramina e derivados da anfetamina no Brasil. E o consumo dessas substâncias tem, sim, relação direta com o risco de problemas cardíacos – tanto que já são vendidas com receita especial. Mas também é verdade que mais da metade da população brasileira está acima do peso e que 13% da população já é considerada obesa. Os médicos defendem que, para uma parcela considerável de seus pacientes, não funciona a simples adoção de hábitos de vida saudáveis, com alimentos menos calóricos e mais nutritivos e prática de exercícios físicos, já que o controle da fome e da saciedade ocorre no cérebro. Eles temem que aumente a procura por cirurgias de redução de estômago – há atualmente uma fila de mil pessoas aguardando o procedimento no Hospital das Clínicas de São Paulo – e por remédios sem venda controlada, facilmente encontrados hoje na internet e que representam um risco muito maior à saúde. O pior é que a polêmica não tem prazo para terminar. Por enquanto, tudo segue como antes: emagrecedores, só com acompanhamento médico.
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