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| Dr. Victor S. Tanaka |
Gestores de laboratórios de São Paulo revelam que cerca de 25% dos exames realizados não são retirados pelos pacientes. O volume é tão significativo que novos procedimentos e tecnologias foram implantados para minimizar os prejuízos. Por exemplo, alguns laboratórios passaram a imprimir os exames somente no balcão, quando o paciente aparece para retirá-los. Também os exames radiológicos não são mais revelados de imediato e algumas imagens são liberadas pela internet, evitando o gasto com chapas.
Além dos pacientes “esquecidos” – entre os quais figuram os que têm medo de descobrir qual o mal que lhes atinge e, por isso, boicotam o resultado –, há outra realidade alarmante: a realização de exames redundantes, totalmente desnecessários. Em levantamento recente, um determinado plano de saúde constatou que a recordista entre os usuários foi uma senhora que visitou cárdio, neuro e endocrinologistas repetidas vezes – chegou ao cúmulo de realizar 98 consultas num período de 12 meses, o que dá uma média de mais de duas consultas por semana. Tudo porque ela não se sentia totalmente segura com o diagnóstico de um único médico. Muito provavelmente, sem ter acesso ao prontuário com os registros dos procedimentos anteriores, cada profissional acreditou ser aquela sua primeira consulta, submetendo a paciente à mesma batelada de exames repetidas vezes.
Mas não é apenas nesses casos extremos que a redundância acontece. Por falta de orientação, muitos acabam refazendo exames simplesmente porque se consultaram com especialistas diferentes – por exemplo, alguém que fez exames pedidos por um cardiologista não se dá conta de que alguns serviriam também para o endocrinologista. Em parte, isso é resultado da extrema especialização da medicina – quem tem dor de cabeça vai direto ao neurologista, dispensando o clínico geral, da mesma forma que quem tem dificuldade em urinar procura o urologista. E também conseqüência da extinção da figura do “médico de família”, aquele que acompanha a saúde do paciente a vida inteira. Para as mulheres, geralmente o ginecologista é quem assume essa posição. Mas todos devem procurar um profissional de confiança a quem possam delegar a responsabilidade.
É sempre importante lembrar: a extravagância de uns pode comprometer a saúde dos demais e encarecer todo o sistema. Só com a conscientização de todos os usuários é que se pode alcançar a excelência na gestão do plano. Por isso, cabe às empresas investirem no esclarecimento e na reeducação de seus funcionários.
*Dr. Victor S. Tanaka é diretor médico da MBS Seguros
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