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Palavra do médico
Co-participação como arma para um sistema mais eficiente
Dr. Victor S. Tanaka*
Dr. Victor S. Tanaka

O sistema de co-participação em saúde funciona da seguinte forma: toda vez que um procedimento médico é realizado, o usuário do plano arca com uma determinada taxa, descontada diretamente em sua folha de pagamento. Diferentemente do que muitos podem supor, a co-participação não representa, em situação alguma, um simples corte de gastos por parte da empresa. A própria Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determina que ela não seja um impeditivo de acesso aos serviços de saúde. Pelo contrário, o valor cobrado na co-participação é simbólico e serve para tornar o paciente mais crítico e zeloso quanto à utilização do plano – afinal, quando o benefício é bem utilizado por todos, o resultado é mais eficiência e reajustes menores.

São três as principais vantagens que enxergo na co-participação. A primeira é a oportunidade de conscientizar o usuário. É muito comum que as consultas sejam marcadas aleatoriamente, sem que se tenha qualquer referência do profissional. Também acontece de o paciente fazer o mesmo exame mais de uma vez a pedido de especialistas diferentes – como o de glicemia para um cardiologista e um endocrinologista, por exemplo. É claro que ninguém gosta de ir ao médico todo dia. Da mesma forma, ninguém quer pagar duas vezes pelo mesmo serviço; por isso, a co-participação pode resultar no uso mais racional do benefício.

A segunda vantagem é que a qualidade do atendimento melhora. Isso porque, ao arcar com parte dos custos, o usuário tende a fazer valer ainda mais seus direitos. Já presenciei casos de pessoas que mudaram de postura graças à co-participação. Antes, se insatisfeitos com o atendimento, apenas marcavam uma outra consulta. Agora, reclamam e exigem uma solução por parte da clínica, do consultório ou do hospital.

Por fim, a co-participação também auxilia na auditoria do benefício. Lançamentos errados, duplicidade de cobrança e até fraudes podem ocorrer. Ao receber um extrato com a relação dos procedimentos realizados e seus respectivos valores, o usuário passa também a fiscalizar o sistema.

*Dr. Victor S. Tanaka é diretor médico da MBS Seguros

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